 É tão fininha.
- Tal como você - disse-lhe Jon. - Mandei Mikken fazer isto
especialmente para você. Os espadachins usam espadas destas
em Pentos, Myr e nas outras Cidades Livres. Não arrancará a
cabeça de um homem, mas pode enchê-lo de buracos se for
suficientemente rápida.
- Eu posso ser rápida - disse Arya.
- Terá de treinar todos os dias - colocou a espada em suas
mãos, mostrou-lhe como pegar e deu um passo para trás. -
Como você a sente? Gosta do equilíbrio?
- Acho que sim - disse Arya.
- Primeira lição - disse Jon. - Espete neles a ponta aguçada.
Arya deu-lhe uma pancada no braço com a parte plana da
lâmina. O golpe doeu, mas Jon começou a sorrir como um
idiota.
- Eu sei qual é a ponta que se usa - disse Arya. Um olhar de
dúvida atravessou-lhe o rosto. - Septã Mordane vai tirá-la de
mim.
- Não, se não souber que a tem - disse Jon.
- Com quem hei de treinar?
- Há de encontrar alguém - prometeu-lhe Jon. - Porto Real é
uma verdadeira cidade, mil vezes maior que Winterfell. Até
encontrar um parceiro, observe como lutam no pátio. Corra,
ande a cavalo, fortaleça-se. E, faça o que fizer...
Arya sabia o que vinha a seguir. Os dois disseram ao mesmo
tempo:
- ... não... conte... a... Sansa!
Jon afagou-lhe os cabelos.
- Vou sentir sua falta, irmãzinha. De súbito, ela pareceu
quase chorar.
- Queria que viesse conosco.
- Por vezes, estradas diferentes vão dar no mesmo castelo.
Quem sabe? - estava se sentindo melhor agora. Não ia
permitir a si próprio ficar triste. - Tenho de ir. Acabarei
passando o primeiro ano na Muralha a despejar penicos se
deixar Tio Benjen à espera mais tempo.
Arya correu para ele para um último abraço,
- Largue a espada primeiro - Jon a preveniu, rindo. Ela pôs a
arma de lado quase timidamente e o encheu de beijos.
Quando ele se virou, já na porta, ela estava de novo com a
espada na mão, testando seu equilíbrio.
- Ia me esquecendo - disse. - Todas as melhores espadas têm
nomes.
- Como a Gelo - disse ela. Olhou a espada que tinha na mão. -
E esta, tem nome? Ah, diga-me.
- Não adivinha? - brincou Jon. - A sua coisa favorita.
Arya a princípio pareceu desorientada. Mas depois
compreendeu. Era assim: rápida. Os dois disseram juntos:
- Agulha!
A memória da gargalhada dela o aqueceu ao longo da
demorada viagem para o Norte.

Daenerys

Targaryen desposou Khal Drogo com medo, e um esplendor
bárbaro, num descampado para lá das muralhas de Pentos,
pois os dothrakis acreditavam que todas as coisas
importantes na vida de um homem deviam ser feitas a céu
aberto.
Drogo chamou seu khalasar para servi-lo e eles vieram,
quarenta mil guerreiros dothrakis e um número incontável de
mulheres, crianças e escravos. Acamparam fora das muralhas
da cidade com suas vastas manadas de gado, erguendo
palácios de erva trançada, comendo tudo o que encontravam
e tornando o bom povo de Pentos mais ansioso a cada dia que
passava,
- Meus colegas magísteres duplicaram o tamanho da guarda
da cidade - informou Illyrio certa noite na mansão que
pertencera a Drogo, entre bandejas de pato com mel e
laranjas-pimenta. O khal juntara-se a seu khalasar, e sua
propriedade fora oferecida a Daenerys e ao irmão até o
casamento.
- É melhor que casemos depressa a Princesa Daenerys, antes
que entreguem metade da riqueza de Pentos a mercenários e
sicários - brincou Sor Jorah Mormont. O exilado pusera a
espada a serviço do irmão de Dany na noite em que fora
vendida a Khal Drogo; Viserys aceitara-a com avidez.
Mormont tornara-se desde então uma companhia constante.
Magíster Illyrio soltou uma ligeira gargalhada através da
barba bifurcada, mas Viserys nem sequer sorriu.
- Pode tê-la amanhã, se assim desejar - disse o príncipe. Olhou
de relance para Dany e ela abaixou os olhos. - Desde que
pague o preço.
Illyrio ergueu uma mão lânguida, fazendo cintilar anéis nos
seus gordos dedos,
- Já lhe disse, tudo está acertado. Confie em mim. O khal lhe
prometeu uma coroa, e a terá.
- Sim, mas quando?
- No momento que o khal escolher - Illyrio respondeu. - Ele
terá primeiro a donzela, e depois do casamento terá de fazer
sua procissão pela planície para apresentá-la a dosh khaleen
em Vaes Dothrak. Talvez depois disso. Se os presságios
favorecerem a guerra.
Viserys fervilhou de impaciência.
- Eu cago nos presságios dothrakis. O Usurpador está sentado
no trono de meu pai. Quanto tempo terei de esperar?
Illyrio encolheu os enormes ombros.
- Já esperou a maior parte da vida, grande rei. Que são mais
alguns meses, mais alguns anos? Sor Jorah, que viajara para
o leste até Vaes Dothrak, concordou com um aceno.
- Aconselho-o a ser paciente, Vossa Graça. Os dothrakis
cumprem com a palavra dada, mas fazem as coisas ao seu
próprio ritmo. Um homem inferior pode suplicar um favor ao
khal, mas nunca deve ter a presunção de censurá-lo.
Viserys eriçou-se.
- Cuidado com a língua, Mormont, ou ainda acabará por ficar
sem ela. Não sou nenhum homem inferior, sou o Senhor de
direito dos Sete Reinos. O dragão não suplica.
Sor Jorah baixou respeitosamente os olhos. Illyrio deu um
sorr